quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ira


Sempre quis acreditar
Que o tempo parava
E que ao mudar o sonho
Nada do que era se reparava

Atrás de todos os loucos sonhos
Não havia maneira de o pronunciar
De lá chegar ou pedir para ser
De subir a ponte e permanecer

Não havia maneira
Não há maneira…

Era louco, era podre e ardor
Doía e consumia-me o sangue das veias
Era uma metáfora que me corrompia a alma
O veneno do seu ódio, da maneira de ser

Era álcool que bebia em cada copo com água
Embriagado de tanto detestar o seu ser
Adorado por gente manchada de ira
Por todo o consumo de sangue e de padecimento

Bebi rios de lágrimas com vanglória
Terá sido o único momento verdadeiro
Depois de tantas flechas nas costas
De tanto veneno nas veias
A minha alma cedeu
Subiu e elevou-se para lá de ti

Os rios secaram, a ira apunhalou-me no cardo
Vezes e vezes sem conta
Morria de tanto gritar sem voz, sem vida
E a tinta que me mordia as mãos foi secando

Porque
Não havia maneira
Não há maneira…

Eras ira em mim
E eu, em ti.

1 comentário:

Curiosa disse...

Belíssimo poema ...
gostei de todos os escritos ...
beijos ...